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O bike fit é um procedimento para ajuste da bicicleta ao ciclista, envolvendo antropometria, análise biomecânica e postural do ciclista, de modo a proporcionar maximização do desempenho no ciclismo, conforto e prevenção de lesões musculoesqueléticas. Vale lembrar que não é apenas a falta de bike fit que favorece o desenvolvimento de lesões, erros no treinamento são igualmente comprometedores. O objetivo do bike fit é ajustar a bicicleta ao ciclista, e não o ciclista à bicicleta, como relata Andy Pruitt, especialista na área. Os benefícios deste ajuste são notórios e muitos ciclistas conseguem perceber grande diferença antes mesmo do término da sessão de bike fit. Alguns ciclistas que passaram pelo Studio se pronunciam a respeito. “Sou apaixonado por Mountain Bike desde criança e a partir de 2000 comecei a praticar o esporte de forma amadora. De lá pra cá tive três bikes e sempre sentia algum desconforto depois das trilhas. Os desconfortos variavam entre dores nas costas, nos punhos e em alguns casos, nos joelhos. Em 2009 resolvi comprar uma bike nova e busquei acompanhamento profissional especializado com o Dr. Thiago Ayala do Studio Bike Fit. Até então as medidas dos quadros e componentes das minhas antigas bikes eram definidas "no olho" por vendedores e mecânicos. Depois da realização do Bike Fit pude perceber a importância desse tipo de serviço especializado, onde a bike fica adequada ao seu corpo proporcionado mais conforto e segurança para a pratica do esporte. Eu recomendo.”
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Antes da realização do ajuste propriamente dito, o ciclista passa por uma anamnese e em seguida pela antropometria, que consiste em uma avaliação para determinar o comprimento dos segmentos corporais para melhor indicação dos componentes da bicicleta. São exemplos de componentes que dependem da antropometria: tamanho (número) do quadro, comprimento efetivo do top tube (segmento virtual que estabelece o comprimento real do quadro), comprimento do pedivela, do guidão e da mesa, largura do selim.
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Os ajustes realizados em uma sessão de bike fit são inúmeros. Pode-se destacar a análise biomecânica da pedalada por meio de um laser sagital, o ajuste do posicionamento do taco na sapatilha, dos manetes e dos bar ends (em caso de MTB), da altura e posicionamento do selim bem como altura ideal do guidão. Além disso, antes do início da sessão é realizado uma avaliação musculoesquelética na qual é possível detectar encurtamentos musculares, desvios de postura, disfunções biomecânicas como pé plano, joelho valgo ou varo, discrepância de comprimento dos membros inferiores, as quais podem influenciar negativamente na prática do ciclismo. Segue abaixo um trecho do livro de Pruitt & Matheny (2006, p. 3) onde Pruitt relata um ocorrido clínico com um dos fenômenos do ciclismo, Eddy Merckx. Este texto ilustra a importância da avaliação musculoesquelética para o bike fit.
“Eddy Merckx, considerado por muitos um dos maiores ciclistas já existentes, carregava uma chave alen 5 mm do bolso de sua camisa. Ele é famoso por fazer pequenos ajustes na altura do selim várias vezes ao dia. Às vezes elevava ou abaixava o selim enquanto pedalava durante as competições. Freqüentemente diziam que Merckx era minucioso quanto ao bike fit por ter sofrido dor lancinante decorrente de lesão em uma colisão. Mas ele também tinha uma anormalidade física não diagnosticada que deu a ele problemas por toda sua carreira ciclística.
Tempos atrás Merckx trouxe seu filho Axel ao meu consultório. Examinando o jovem ciclista foi encontrada uma significante discrepância de comprimento entre os membros inferiores, mais precisamente no fêmur. Inacreditavelmente, Eddy tinha o mesmo problema. Quando eu diagnostiquei isto, Merckx percebeu o motivo de se sentir desconfortável sobre a bike, apesar de seu grande sucesso. Após ter passado por toda esta dor – a qual poderia ser aliviada com um calço apropriado ou ajuste do taco – ele comentou, lamentando e sorrindo ironicamente, “Onde você estava quando eu estava pedalando?”
Merckx constantemente brincava com o bike fit quanto ao ponto que todos os ciclistas conhecem. Se você está desconfortável, a pedalada não tem graça. Adicionalmente, bike fit está intimamente conectado à produção de força e ninguém quer desperdiçar um watt sequer de potência arduamente angariado devido a um mau posicionamento sobre a bike.”
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ERROS COMUNS COMETIDOS POR CICLISTAS ¨ Comprar o quadro e pedivela baseando-se na altura. Ambos os componentes devem ter o comprimento determinado pelo valor do cavalo. A compra de um quadro tomando-se por base a altura do ciclista pode ser uma aquisição desastrosa visto que algumas pessoas apresentam tronco relativamente mais comprido do que os membros inferiores. Um quadro de numeração inapropriada ao ciclista pode dificultar o bike fit ou até mesmo comprometê-lo; ¨ Comprar sapatilha com numeração maior à que calça. A sapatilha com numeração maior tende a deixar o pé não tão firme como deveria, além disso dá diferença no ajuste do taco relativo ao pé; ¨ Comprar selim muito estreito, visando apenas peso e designe. O selim deve ter uma largura mínima para acomodar adequadamente as tuberosidades isquiáticas. Se tal suporte não ocorre devidamente dor e dormência no períneo podem apresentarem-se como sintomas mais comuns; ¨ Cortar a espiga do garfo/suspensão sem antes determinar a altura ideal do guidão. Alguns garfos/suspensões apresentam espigas cortadas tão curtas que impossibilita a elevação da mesa para correção da altura do guidão. Quando isso acontece, a alternativa mais viável economicamente é aumentar a angulação da mesa para corrigir o problema.
Texto: Thiago Ayala M. Di Alencar, 29/08/2009
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Ciclista Gesiel Nunes |

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A falta de um ajuste adequado da bike ao ciclista associado a uma disfunção biomecânica favorece o desenvolvimento de lesões por overuse, das quais podem ser citadas: cervicalgia, lombalgia, neuropatia dos nervos pudendo, ulnar e mediano, tendinite patelar, tendinite quadriciptal, condromalácia patelar, tendinite do bíceps femoral, bursite anserina, tendinite aquileana, fasciite plantar, entre outras disfunções. Para realizar as avaliações é indispensável que o ciclista traga sua própria bicicleta, sapatilha e bermuda de ciclismo. E no caso de mulheres, é importante que estejam de top. Caso o ciclista tenha histórico de lesão o mesmo poderá estar levando exames complementares, como ressonância magnética, ultra-sonografia, raio-x, para apresentar ao profissional examinador. O processo de avaliação do ciclista, incluindo o bike fit, leva em torno de 2 horas e ao término da avaliação é entregue ao ciclista um formulário comparativo da condição anterior e posterior ao bike fit bem como as medidas sugeridas dos componentes da bicicleta.
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